GNU/Linux - Fedora 7: primeiras impressões
Hoje, quando se pensa em uma distribuição Linux fácil, a primeira que vem à mente é o Ubuntu. Eu mesma fui usuária do Ubuntu por mais ou menos um ano, até que alguns problemas começaram a aparecer e eu resolvi trocar de distribuição. Escolhi então o Fedora 7, mas devido a falta de tempo e uma conexão lerda (demorei duas semanas pra baixar a .iso do DVD), só fui instalar mesmo no fim de semana passado. Abaixo, é possível ver como anda atualmente meu desktop.
Os motivos que me levaram a optar pelo Fedora 7, em detrimento do Ubuntu, são os seguintes: já o havia usado uma vez (o Core 4, quando fiz um curso no antigo Cefet-PR, atual UTFPR), usa o Gnome (meu gerenciador de janelas favorito), e usa pacotes .RPM, que são tão simples de usar quanto os .DEB.
Ainda faltam algumas coisas pra ajeitar, como o driver do chipset da Nvidia, minha impressora Lexmark, instalar alguns softwares, mas são coisas que não me impedem de usar o novo sistema, e que justamente por isso eu posso atrasar pra arrumar. Vou deixar aqui uma breve e um tanto simplista análise sobre o Fedora 7.
Instalação
A instalação do Fedora é simples e rápida - 23 minutos contados no relógio -, mas isso não significa que não é bom dar uma olhadinha no guia de instalação, principalmente se você tiver, assim como eu, outra partição com outro sistema operacional instalado, pra saber com certeza o que fazer em cada etapa do processo.
O processo de instalação ocorre em nove etapas: verificação da mídia, seleção do idioma, configuração do teclado, atualização do GRUB (o gerenciador de inicialização usado no Fedora 7), particionamento, configuração da rede, fuso horário, definição da senha de root e seleção dos programas a serem instalados. Não tem segredo, é só seguir o passo a passo, mas eu recomendo ler o guia antes, pois apesar de ser fácil, um moleque que se acha o “ráquer” porque sabe “formatar o Windows” pode fazer besteira, principalmente na parte do particionamento.
O Fedora 7
Não me senti muito perdida quando o Fedora carregou da primeira vez. O motivo principal é que ele vem com o Gnome como gerenciador de janelas e, apesar de o tema padrão não ser lá essas coisas, o papel de parede default é muito bonito. Aliás, em se tratando de visual, o Fedora todo é muito bem pensado. As telas de boot, de carregamento do sistema, a janela de login… São todas muito bonitas e agradáveis. Alguns menus no ítem “Sistema” do painel do Gnome estão organizados de maneira diferente do que eu estava acostumada no Ubuntu, nada que 5 minutinhos fuçando não resolva.
Me perdi mesmo quando abri o terminal, e descobri que vou ter de largar alguns vícios herdados de distribuições debianas, como o comandinho mágico “apt-get install”, ou usar “su -” no Fedora, ao invés de “sudo” para logar como root/administrador.
Ajustes
É claro que alguns problemas apareceram. Tive que alterar o Xorg.conf via linha de comando para arrumar a resolução do meu monitor SyncMaster 540n 15″. Sinceramente não sei se há uma maneira mais fácil de fazer isso, mas como já estava acostumada a alterar o Xorg.conf dessa maneira no Ubuntu, digitar “vi /etc/X11/Xorg.conf” no terminal e alterar algumas linhas foi até bem simples. Depois disso, algumas opções que não haviam antes apareceram em “Sistema > Administração > Tela”, mas mesmo assim, o modelo do meu monitor não estava na lista, não sei qual o mais compatível, e, apesar de ele (o monitor) reclamar que não está numa configuração apropriada, está funcionando.
Outra coisa, é que a partição Windows não foi montada automaticamente, como acontecia no Ubuntu. A solução foi encontrada neste fórum, e eu só completei fazendo um link simbólico para “/media/Windows” no desktop.
Assim como o Ubuntu, o Fedora 7 não vem com os codecs proprietários instalados. Não que isso seja um grande pecado - pelo menos, ele não te acusa de estar cometendo um pecado ao instalar coisas proprietárias. Não lembro exatamente o que fiz - ainda era/sou novata no Fedora, e o pessoal da comunidade me ajudou muito -, mas foi algo como adicionar o repositório FreshRPMs e então instalar plugins do GStreamer com posfixos “ugly” e “bad”. Talvez os desenvolvedores achem que codecs proprietários são chatos-feios-bobos-e-cocozentos.
Como disse no início, ainda faltam algumas coisas: não instalei minha impressora Lexmark Z513, mas tudo bem, não estou com pressa, nem tenho grana planos de comprar um cartucho novo tão cedo. Também faltam drivers de vídeo, e isso será feito quando eu vencer a preguiça e/ou achar os drivers corretos, mas por enquanto fica assim mesmo. Tá funcionando? Ótimo!
Conclusão
Como ex-Ubuntuser, não poderia deixar de fazer uma comparaçãozinha do Fedora 7 com o Ubuntu:
O Yum (Adicionar/Remover Programas) parece mais lento que o Synaptic;
O boot do Fedora é mais rápido que do Ubuntu;
O Fedora vem com um firewall e com o SELinux;
O Fedora, em geral, parece ser mais rápido que o Ubuntu.
Depois de instalado, configurado e com um tema bonito, não posso discordar que sim, o Fedora 7, assim como outras distribuições ditas “fáceis” pela comunidade, são realmente fáceis. Logicamente não é bem assim: dê um computador como o meu e o DVD do Fedora para um iniciante e ele vai fazer caca já na instalação. Isso também é aplicável ao Windows, com a diferença que nele, por ser uma espécie de padrão de mercado, as ferramentas estão à mão, não é necessário fazer certas gambiarras, nem usar interface de linha de comando para as coisas funcionarem - é claro que essa facilidade toda não isenta o Windows dos seus problemas.
Em geral, gostei muito do Fedora 7. Por enquanto, não tive grandes problemas, a não ser os de configuração de hardware, e estes comuns a todo usuário que troca de sistema e precisa se adaptar à nova realidade. O que espero sinceramente é que não volte a ter os problemas que me afugentaram do Ubuntu, como pacotes quebrados, repositórios desatualizados e as (malditas) dependências conflitantes.
Se isso não acontecer, ótimo, vou ficar feliz e contente usando meu Linux, indo pro Windows só em casos extremos enquanto ainda não tenho meu Mac, como quando for preciso usar os Adobes e outros softwares específicos - não, nenhum software open source se compara aos Adobes, talvez o Xara Xtreme, mas de maneira geral não, não adianta. Mas se acontecer, há duas saídas: migrar pra outra distribuição não-RPM based nem Debian-based, ou juntar logo a grana pro Mac antes de terminar a faculdade, porque o único OS 100% que já usei foi mesmo o do titio Jobs.
Autor/fonte: Fabiane Lima

